Corvos

wardruna
Não me ames
Entende o que quero
O momento antes da queda
A guerra
É aí que me sinto em casa

Ama-me ou mata-me
Ou os dois
Mas não te jures antes do final
Quem sabe o que vai acontecer

E se eu te dissesse que te amo
Que diferença faria?
Tu não sentes com o meu peito
Nem nunca terás a minha alma
Mas juro-te
Eu tenho a tua
***
Verdade
Escolhe um caminho e voa

Mostra
Esconde
Convence e perde
E ganha

As moedas eu atiro ao rio
O rio passagem
Os mortos esperam
O barqueiro não
***
Rainha da noite
Um ponto perfeito une os três caminhos
Chama sob solo sobre terra
Chama clara cúpula estrela e núvem quebra
Brilho cega, consome, castiga e escolhe
As trevas e a luz gritam a mesma canção
Eu te escolho agora e dedico ao teu nome
Esta pobre canção
***
Corvo meu, corvo meu
Que donzela é mais que eu?
Que beleza, que bondade
São mais que a minha vontade?
Que perfeita sinfonia
Teceu que eu não teceria?
E qual sabedoria
Viu aquilo que eu não via?
Que arte tem ela
Que eu não meti nela?

Ó Senhora
Ó Senhora
Porque me fazes falar?
Troco fala por asas
Para na noite voar
E se a noite for dia
De preto vestido faria
Ao dia a noite lembrar
***
Um conjunto
Círculo e pedra
Dois corvos
O homem enforcado
Deus das forcas
E das guerras
A névoa e a treva
O mar tenebroso
E a grande manhã
Fria e eterna
Despertar
***
Queria ter ajuda, ser guiado
Ou, pelo menos, não estar preso
Sou falso, não faço o que quero, não sou o que sou
Não falo abertamente, honestamente
E tudo isso vai roendo a minha alma
E quando tenho uma pequena hipótese de fuga
Corro para ela de braços abertos
A minha vida é um desastre
E não sei como evitá-lo
Peço a morte mas...
Será que quero a morte?
Quero liberdade, o ar do exterior
Quero andar

O meu tesouro de tinta, palavras
E que fazer?
Estou morto por dentro
Não sou eu
Sou eu em dois momentos de agonia
E depois mais sombras e esquecimento

A morte que espere
Eu caminho para a vida
Como uma tempestade
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