Kerberos

Sereno
O senhor supremo dos Noldor
Finwë
Fez com Míriel
Um espírito de fogo
***
Eu sei ou conheço o apreço que tenho por conquistar
Mas desejo, antevejo um momento em que não há ar
O escuro surdo surge
E terra a cama que tudo entranha
E se torna comida, bebida e vida
Difere da outra mais morta e distante
Um lance, um lance de dado
Seis faces mas canhou-me o sete
Mais sete menos um dá treze
Azar ou sorte de rei plebeu e eu e eu
Conquisto uma estrada
Ou caio para sempre no nada
Que sou, que serei, quem é rei?
Quem não sei, quem dá mais?
Só pardais e cantigas queridas de nunca mais
Ratos os cisnes abismos de fogo
E poços de céu para além das núvens
Eu quero, eu quero

Verdade jura e comete o crime
Contrário à vontade favorece o vento e voa
Eu serei rei mas antes vou servir na corte como bobo
Como lobo ou ele come-te a ti
Acorda
***
As esmeraldas em queda
E a luz azul das runas encheu a caverna
Ela brilha o céu estrelado
Encontraremos outro lado
Mas até lá cruéis correntes
Até lago subterrâneo onde moram os mortos
Escondem-se sob camadas de outros mortos
E eu?
Que faço eu aqui?
Nestas terras escuras, húmidas e sem fim
Que pedaço tomar?
Que comer, que beber, e depois?
Poderei eu voltar após provar a comida dos mortos?
Os frutos esquecidos
Sem destino o destino chama
Clama e esquece
Surdo, mudo, sem sentido
E tu caminhas para ele?
Ou cão és chamado e leal
Atendes e abanas a cauda?
Ou és presa dele, caçado, em fuga
E perseguido pelos seus cães?
Procion e Sirius, o brilho chama a morte fértil
Acusa o rio e sob águas perde esperança e ar
Afoga e nasce de novo como terra negra
Que serve de alimento ao Egito
Um vale de reis mortos e uma estrela
***
Estranha estrada entre gritos de chacais
Pirâmide lunar que dite
É meu este destino?
Quer rosa o caminho?
Quer prova?

Eu sou um homem
Um homem lobo sem fim nem começo
Eu, eu, eu
***
Estandarte escarlate que chegue
Voe águia no totem tribal
Lobo sobre foca sobre caninos
Tudo osso, tudo oco e real
Quer fogo este círculo
Quer pés a terra, quer pés que pisem
Olhos que olhem e digam
Não boca, guarda a boca
Pode ser precisa
Quer tinta a parede, quer trinta
Desenhos dos animais que caçamos
Os deuses selvagens em viagens sem mim
Eu vou também, eu vou
Mas não sei para onde
seta esquerda circulo seta direita