Crónicas da Demonland

Passados os portões e as terras das lanças chegas à torre. Lá encontras o senhor da torre, ele fala-te assim:

Eu entro e sinto, conheço e sei, eu mostro e escolho o monstro, a lei. Confesso esperava uma negra verdade, um lado mais escuro de dizer quem é rei, um lado mais estranho de criar profecia, a espada e o anel, tudo o que queria. Dá ouro, dá prata, dá armas antigas, dá mulheres, os carros, quinquilharias, dá gemas , as pedras, safira, o rubi mas a minha alma só te quer a ti. A espada, o anel e a tua vontade, presa e unida, em âmbar selada, milhões os milénios ela preservada, eu escondo e conheço das coisas antigas, coleciono-te a ti, às almas perdidas.

O senhor da torre vê longe mas desconhece o que carregas no teu coração. É ainda mais estranho. Tu respondes ao senhor da torre:

A entrada mais estreita consegue surpreender até o diabo. Eu escolho uma prece e duas dúzias de crianças que façam a minha vontade. Lavar os pés no rio do seu sangue, escovar os dentes com uma escova dos seus cabelos, eu entrego-te ninharias, os olhos das crianças. Eu ensino a ser mais demónio, a ser terrível e inacabado e belo. Eu colhi sete mares para tos dar, para os perder nos teus cabelos e para lá me perder também. Nada é meu na fúria da colheita, nada sob sol ou lua se saqueia como eu saquearei as tuas cidades, nenhum cabelo, nenhum só segredo. Respiro, eu não escondo, eu mostro, eu monstro, em ti, por cima, sempre. Eu acolho.

O senhor da torre responde:

Eu digo calma, respira e executa a tua missão, ela quer-te cego e impotente para gastar as tuas fortunas mas tu serás como um gato, furtivo, à espera do momento de atacar e depois ficarás com tudo de novo, só que o dobro, o dobro e mais. Rogarão pragas no teu nome, eu digo-te, rogarão pragas e invocarão mais demónios do que os que alguma vez moraram no mar da chama. Eu começo a entender-te, é um ataque, um movimento que parecer ser errático mas procura o centro, poder.